Essa é uma dúvida muito mais comum do que parece: afinal, quantas vezes por semana um casal deveria fazer sexo?
Uma vez? Três vezes? Todos os dias? Só nos finais de semana?
A verdade é que não existe um número considerado “normal” que sirva para todos os casais.
Cada relacionamento tem seu próprio ritmo. A frequência das relações sexuais pode mudar de acordo com a idade, rotina, tempo de relacionamento, filhos, trabalho, saúde, estresse, disposição e, principalmente, com o desejo de cada pessoa.
Por isso, mais importante do que contar quantas vezes vocês fazem sexo é responder a uma pergunta bem mais simples:
Os dois estão satisfeitos com a vida sexual do casal?
Se a resposta for sim, talvez vocês já tenham encontrado a frequência ideal para vocês.
Existe uma quantidade ideal de sexo por semana?
Não existe uma quantidade obrigatória.
É comum vermos comentários dizendo que um casal saudável precisa fazer sexo duas, três ou até quatro vezes por semana. Mas relacionamento não funciona com uma tabela.
Um casal pode ter relações uma vez por mês e estar perfeitamente satisfeito.
Outro pode fazer sexo três vezes por semana e ainda assim existir insatisfação porque uma das pessoas gostaria de uma frequência maior.
Ou seja: o número, sozinho, diz muito pouco sobre a qualidade da relação.
O mais importante é entender se aquela frequência funciona para as duas pessoas.
O que os estudos dizem sobre a frequência sexual?
Um estudo bastante conhecido, conduzido por Amy Muise, Ulrich Schimmack e Emily Impett, analisou dados de mais de 30 mil participantes.
Os pesquisadores encontraram uma associação entre maior frequência sexual e bem-estar entre pessoas que estavam em relacionamentos, mas essa relação aumentava até aproximadamente uma vez por semana. Acima disso, fazer sexo com maior frequência não apareceu associado a um aumento adicional significativo no bem-estar.
Mas atenção: isso não significa que uma vez por semana seja a quantidade perfeita de sexo.
O próprio resultado deve ser entendido como uma média estatística, e não como uma recomendação para todos os casais.
Além disso, o estudo encontrou uma associação, não uma regra de causa e efeito. Portanto, não dá para afirmar simplesmente que fazer sexo uma vez por semana deixará automaticamente um casal mais feliz.
Então fazer mais sexo deixa o casal mais feliz?
Não necessariamente.
Quantidade e qualidade são coisas diferentes.
Ter muitas relações sexuais não significa automaticamente ter um relacionamento melhor. Da mesma forma, fazer sexo com menos frequência não significa que exista algum problema.
Imagine dois casais.
O primeiro faz sexo duas vezes por mês e ambos estão satisfeitos.
O segundo faz sexo quatro vezes por semana, mas uma das pessoas gostaria que fosse todos os dias e vive frustrada com isso.
Qual dos dois está melhor?
Provavelmente o primeiro.
É por isso que, muitas vezes, a verdadeira questão não é “quantas vezes fazemos sexo?”, mas sim:
“O que temos hoje está bom para nós dois?”
É normal a frequência sexual diminuir com o tempo?
Sim.
No começo de um relacionamento, tudo costuma ser novidade. Existe descoberta, expectativa, curiosidade e aquela vontade de aproveitar cada momento juntos.
Com o passar do tempo, a vida muda.
Chegam trabalho, contas, responsabilidades, filhos, compromissos, cansaço e várias outras preocupações.
Isso não significa necessariamente que a atração acabou.
A frequência sexual pode variar bastante durante diferentes momentos da vida.
Algumas situações que podem influenciar são:
-
rotina de trabalho intensa;
-
falta de privacidade;
-
nascimento e criação dos filhos;
-
estresse;
-
noites mal dormidas;
-
problemas pessoais;
-
mudanças hormonais;
-
uso de determinados medicamentos;
-
alterações na saúde;
-
dificuldades emocionais;
-
fases de maior ou menor desejo.
Por isso, comparar a frequência atual com o início do relacionamento nem sempre é justo.
A vida do casal também mudou.
E quando um quer sexo mais vezes que o outro?
Essa provavelmente é uma das situações mais comuns em relacionamentos.
Nem sempre duas pessoas terão exatamente o mesmo nível de desejo.
Uma pode ter vontade três vezes por semana, enquanto a outra pode se sentir satisfeita com uma vez.
Isso não significa que alguém esteja certo ou errado.
O problema começa quando essa diferença vira pressão.
Quem deseja mais pode começar a interpretar as recusas como falta de interesse ou atração.
Quem deseja menos pode começar a evitar abraços, beijos e carinhos com medo de que qualquer aproximação seja interpretada como um convite para sexo.
Aos poucos, até o carinho pode diminuir.
Por isso, é muito importante separar uma coisa da outra.
Nem todo beijo precisa terminar em sexo.
Nem todo abraço precisa ser uma tentativa de iniciar uma relação sexual.
O contato físico também existe para demonstrar carinho, afeto e proximidade.
Como conversar sobre a falta ou o excesso de sexo?
Escolher o momento certo faz toda a diferença.
Talvez o pior momento para começar essa conversa seja logo depois de ouvir um “hoje não”.
Nesse momento, qualquer frase pode parecer cobrança.
Prefira conversar fora da cama e em um momento tranquilo.
E tente falar sobre como você se sente, em vez de apontar aquilo que o parceiro supostamente está fazendo errado.
Existe uma grande diferença entre dizer:
“Você nunca quer transar comigo.”
e:
“Tenho sentido falta de alguns momentos mais íntimos entre a gente. Como você está se sentindo?”
A primeira frase acusa.
A segunda abre espaço para conversa.
Antes de cobrar, tente entender o que está acontecendo
Às vezes, a redução da frequência sexual nem tem relação direta com o relacionamento.
A pessoa pode estar cansada, preocupada, estressada ou passando por uma fase complicada.
Por isso, pergunte.
“Você está bem?”
“Tem alguma coisa te incomodando?”
“Existe algo que poderíamos fazer diferente?”
Uma conversa tranquila pode revelar coisas que nunca apareceriam durante uma discussão sobre quantas vezes vocês fazem sexo.
Marcar um dia para ter sexo é estranho?
Não necessariamente.
Muita gente imagina que sexo precisa acontecer sempre de maneira completamente espontânea.
Mas pense em quantas coisas prazerosas nós planejamos.
Um jantar.
Uma viagem.
Um encontro.
Um final de semana diferente.
Por que um momento íntimo também não poderia ser planejado?
Para casais com filhos, agendas corridas ou horários diferentes, reservar um momento para ficarem juntos pode funcionar muito bem.
E isso não significa colocar uma obrigação na agenda.
Significa simplesmente criar espaço para que a intimidade aconteça.
O importante é que continue existindo vontade e consentimento dos dois.
Intimidade não é apenas sexo
Outro erro comum é medir a qualidade da relação apenas pela quantidade de relações sexuais.
Intimidade também aparece em pequenos momentos.
Um abraço demorado.
Um beijo inesperado.
Dormir abraçados.
Uma massagem.
Tomar banho juntos.
Conversar sem celular por perto.
Fazer carinho.
Trocar elogios.
Essas pequenas demonstrações ajudam a manter a conexão do casal e podem, inclusive, criar naturalmente mais espaço para o desejo.
É possível sair da rotina sexual?
Sim.
Quando existe vontade dos dois, pequenas mudanças podem deixar os momentos íntimos mais interessantes.
Não precisa transformar completamente a vida sexual de uma hora para outra.
Vocês podem começar experimentando coisas simples, como:
-
mudar o ambiente;
-
fazer uma massagem;
-
experimentar posições diferentes;
-
usar vendas nos olhos;
-
incluir lubrificantes;
-
testar jogos para casal;
-
experimentar brinquedos sexuais;
-
conversar sobre fantasias e curiosidades.
O objetivo não é fazer sexo apenas para aumentar um número.
É tornar os momentos que vocês já têm mais prazerosos e interessantes.
Brinquedos sexuais podem ajudar o casal?
Eles podem fazer parte da experiência, desde que exista interesse dos dois.
Um vibrador, estimulador, anel peniano, masturbador ou outro acessório não precisa ser visto como substituto do parceiro.
Pode ser simplesmente uma nova maneira de explorar sensações juntos.
O ideal é conversar primeiro e, se os dois tiverem curiosidade, escolher algo que deixe ambos confortáveis.
Inclusive, procurar um brinquedo juntos pode se transformar em parte da brincadeira.
Mas é importante lembrar: nenhum produto resolve sozinho um problema de comunicação ou uma diferença de desejo.
O diálogo vem primeiro.
Quanto tempo sem sexo é considerado preocupante?
Também não existe um prazo universal.
Alguns casais passam semanas sem relações e estão tranquilos com isso.
Outros percebem rapidamente que algo mudou e sentem falta da intimidade.
Portanto, mais importante do que contar os dias é observar como vocês se sentem.
Vale prestar mais atenção quando:
-
a frequência diminuiu de forma repentina;
-
uma das pessoas está sofrendo com a situação;
-
existe dificuldade para conversar sobre sexo;
-
começaram a surgir brigas frequentes sobre o assunto;
-
existe dor durante as relações;
-
houve perda significativa e inesperada do desejo;
-
qualquer demonstração de carinho começou a ser evitada.
Nesses casos, tentar entender a causa é mais importante do que simplesmente tentar aumentar a frequência.
A idade interfere na frequência sexual?
Pode interferir, mas não determina tudo.
Existem casais mais jovens com pouca frequência sexual e casais mais velhos com uma vida sexual bastante ativa.
Além da idade, fatores como saúde, qualidade do sono, rotina, medicamentos, hormônios, relacionamento e disposição emocional também têm influência.
Por isso, duas pessoas da mesma idade podem ter níveis de desejo completamente diferentes.
E isso pode ser perfeitamente normal.
Não compare sua vida sexual com a dos outros
Essa talvez seja uma das dicas mais importantes.
Você não sabe realmente o que acontece dentro do relacionamento de outras pessoas.
Amigos podem exagerar.
Redes sociais mostram apenas uma parte da realidade.
Filmes e conteúdos adultos também não representam necessariamente como funciona a vida sexual de um casal no dia a dia.
Por isso, ficar pensando:
“Fulano disse que faz cinco vezes por semana.”
“Será que fazemos pouco?”
“Será que nosso relacionamento esfriou?”
pode criar uma preocupação que antes nem existia.
Seu relacionamento não precisa atingir a média de ninguém.
Afinal, quantas vezes é normal um casal ter relações?
A resposta mais correta continua sendo:
depende do casal.
Pode ser várias vezes por semana.
Uma vez por semana.
Algumas vezes por mês.
Ou existir períodos em que praticamente não acontece.
O que realmente importa é saber se as duas pessoas estão confortáveis e satisfeitas com aquela realidade.
Quando existe uma diferença de desejo, o caminho não é transformar sexo em obrigação.
É conversar.
Quando procurar ajuda profissional?
Uma mudança repentina no desejo sexual pode ter diversas causas e nem sempre está relacionada ao relacionamento.
Questões hormonais, medicamentos, estresse, saúde física e emocional também podem interferir.
Procure orientação médica ou profissional especializada principalmente quando houver:
-
perda súbita e persistente do desejo;
-
dor durante as relações;
-
alterações físicas importantes;
-
dificuldade de ereção persistente;
-
mudanças que começaram após algum medicamento;
-
sofrimento emocional relacionado à sexualidade;
-
conflitos recorrentes entre o casal por causa do assunto.
Buscar ajuda não significa que existe algo “errado” com o relacionamento. Em muitos casos, simplesmente ajuda a identificar o que está acontecendo.
Em resumo
Não existe uma quantidade perfeita de sexo que determine se um relacionamento é bom ou ruim.
Pesquisas encontraram uma associação entre frequência sexual e bem-estar até aproximadamente uma relação por semana em pessoas que estavam em relacionamentos, mas isso não deve ser transformado em meta ou obrigação.
Um casal que faz sexo duas vezes por mês e está satisfeito pode ter uma vida sexual muito mais saudável do que outro que faz quatro vezes por semana e vive em conflito.
Então, em vez de perguntar:
“Quantas vezes deveríamos fazer sexo?”
Talvez seja mais útil perguntar:
“Nós dois estamos felizes com nossa vida sexual?”
Se a resposta for sim, ótimo.
Se a resposta for não, conversem sobre o que cada um sente, deseja e precisa.
No fim das contas, uma vida sexual saudável não é medida apenas pela quantidade.
É construída com desejo, respeito, intimidade, consentimento e diálogo.